Técnicas Qualitativas Tese de Doutoramento em Ciências da Educação (especialidade de Desenvolvimento Curricular), Universidade do Minho
| Título: | Percepções e experiências da escola, trajectórias escolares e expectativas futuras: um estudo com alunos do ensino secundário |
| Autor: | Teixeira, Cidália Maria Ferreira |
| Orientador: | Fernandes, Maria Assunção Flores |
| Data: | 13-Set-2010 |
[em linha]. Disponível: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/11014 [acedido Fev. 2011]
Breve descrição do problema de investigação
Em síntese, com esta tese de Doutoramento, a doutoranda Cidália Teixeira pretendeu a aquisição de uma visão ampla e holística das percepções e das experiências dos alunos do ensino secundário sobre a escola, assim como das suas trajectórias escolares e expectativas futuras.
Questões problema:
- a) Quais as percepções dos alunos do Ensino Secundário sobre a escola?
- b) Que influência tiveram os seus professores na sua trajectória escolar?
- c) Que variáveis condicionaram as suas escolhas ao longo do seu percurso escolar?
- d) Como percepcionam a instituição escolar, atendendo às experiências curriculares e extracurriculares mais relevantes no seu percurso formativo?
- e) Como se vêem a si próprios enquanto alunos?
- f) Quais as suas expectativas e projectos para o futuro?
Objectivos:
- a) Analisar as percepções dos alunos sobre a escola em geral, a educação e o ensino;
- b) Conhecer experiências curriculares e extracurriculares relevantes no seu percurso;
- c) Compreender a influência de pessoas marcantes ao longo da sua trajectória escolar;
- d) Entender a visão de si próprios enquanto alunos;
- e) Compreender a influência da escola na escolha do curso e no seu percurso escolar;
- f) Analisar as suas expectativas, enquadradas nos seus projectos para o futuro.
A investigação realizada foi de índole qualitativa e não quantitativa, já que ambicionou "compreender e interpretar a realidade tal e qual como é entendida pelos sujeitos participantes nos contextos estudados" (Gómez, Flores & Jiménez, 1999, apud Teixeira, 2010: 91), neste caso, dando "voz"1 a alunos do ensino secundário de 12º ano. Cremos que a opção foi correcta, porquanto o paradigma construtivista (qualitativo) tem como objectivo interpretar a realidade, questionando as diferentes construções dessa mesma realidade e os significados elaborados pelos actores sociais.
1(…) the voices, feelings, actions and meanings of interacting individuals are heard. (Denzin, 1989, p. 83)
Tipo de casos estudados
Dentro das várias possibilidades da investigação qualitativa foi escolhido o estudo descritivo e interpretativo, dentro do paradigma construtivista, com as seguintes etapas:
1.ª Revisão da literatura nacional e estrangeira e de estudos desenvolvidos no âmbito do movimento da voz dos alunos;
2.ª Enquadramento teórico e metodológico das temáticas em estudo;
3.ª Elaboração e validação das pistas para o relato do percurso escolar, para aferir a compreensão do enunciado por parte dos discentes e definir o tempo necessário para a escrita da narrativa;
4.ª Solicitação da produção da narrativa aos alunos dos diferentes cursos;
5.ª Análise vertical dos relatos escritos;
6.ª Análise comparativa ou horizontal das narrativas; análise comparativa constante;
7.ª Codificação, categorização e análise dos dados das narrativas;
8.ª Elaboração e validação do guião da entrevista;
9.ª Realização da entrevista;
10.ª Análise de conteúdo dos dados da entrevista. Descrição e interpretação dos mesmos; complemento da análise das narrativas.
11.ª Apresentação da trajectória escolar dos alunos, a partir dos dados recolhidos a respeito do seu percurso escolar, nas três fases da investigação (narrativa, entrevista e email).
Foram utilizadas fundamentalmente quatro técnicas de recolha de dados: a análise documental, os relatos escritos, a entrevista semi-directiva e o e-mail.
A pesquisa documental constituiu-se como o primeiro contacto com a realidade, dando uma ajuda significativa, pois as entrevistas aos diferentes actores educativos (alunos, professores, encarregados de educação e órgãos de gestão) iniciaram já com algum conhecimento da escola e do seu funcionamento. Concomitantemente, a análise documental permitiu elaborar a contextualização da escola e complementou a caracterização do seu corpo discente.
Relatos Escritos
O recurso às narrativas, numa primeira fase do projecto, conduziu o participante a uma reflexão mais acurada sobre si e sobre a sua história de vida. Ao convocar as opiniões pessoais dos próprios participantes, em discurso directo, compreendeu-se com mais profundidade as suas percepções sobre a escola. Concomitantemente, as narrativas conferiram ao participante a capacidade de estabelecer uma ordem de ideias própria. Entretanto, a ênfase da narrativa não foi colocada em largos e vagos períodos de tempo, mas em situações/tempos específicos, uma vez que se pretendeu que os participantes focalizassem a sua atenção em aspectos relevantes para a investigação.
Após uma revisão da literatura relacionada com a metodologia da investigação e com estudos já realizados sobre o movimento da voz dos alunos, foi elaborado um conjunto com pistas que poderiam nortear a redacção da narrativa sobre o seu percurso escolar, atendendo aos objectivos do estudo e à informação que se pretendia recolher.
O guião estruturou-se em três partes:
- 1. Identificação do aluno: nome; sexo; anos de frequência na escola; anos de permanência na turma; retenções e idade;
- 2. Pistas para o registo escrito (história do percurso escolar);
- 3. Referência à possibilidade de relatarem outros aspectos não focados no guião.
Foi escolhida a entrevista semidireccionada, para que os sujeitos pudessem livremente expressar-se sobre as temáticas em análise. Optou-se pela realização de entrevistas semidirectivas, em que o investigador dispõe de uma série de perguntas-guias, relativamente abertas, para que os participantes tenham liberdade para discorrer sobre as questões que lhes são colocadas.
O e-mail
Na investigação não foi utilizado nenhum software para a análise do conteúdo. No entanto, existem alguns programas que auxiliam no tratamento de dados qualitativos, como por exemplo: MAXQDA e o NVIVO.
Este tipo de aplicações QDA (Quality Data Analysis) permite organizar a informação a explorar e visualizar padrões, sendo uma ajuda poderosa para o investigador poder tirar algumas conclusões.
Referências Bibliográficas Denzin, N. (1989) Interpretive Interactionism, London, Sage
Denzin N.; Lincoln, Y. (Eds.) (1994): Handbook of qualitative research. California: Sage.
Fairclough, N. (s/d). Analysing Discourse, Textual analysis for social research.London & New York: Routledg [em linha]. Disponível em: http://www.fd.unl.pt/docentes_docs/ma/AMH_MA_4763.pdf [acedido Fev. 2011]
Teixeira, C. (2010): Percepções e experiências da escola, trajectórias escolares e expectativas futuras: um estudo com alunos do ensino secundário (Tese de Mestrado). [em linha]. Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/11014 [acedido Fev. 2011]
Tesch, R. (1993): Qualitative Research: Analysis Types of Software Tools. New York: Falmer Press.
Webgrafia http://www.maxqda.com/
http://www.qsrinternational.com/other-languages_portuguese.aspx
Débora Nandja
Dulce Oliveira
José Nunes
Dois anos após o primeiro contacto com os alunos, foi enviado um e-mail para saber se as suas expectativas em termos académicos, profissionais e pessoais se tinham cumprido. Nesta fase, pretendeu-se saber se a concepção que tinham da escola se mantinha ou se se havia alterado, entre outras questões.
O Guião da Entrevista foi adaptado de um guião anteriormente validado das entrevistas já realizadas, no âmbito de um projecto, e tem como objectivos aqueles que foram identificados nas Questões problema.
A entrevista está subdividida em 5 blocos:
- Legitimação da entrevista e motivação – apresentadas as linhas gerais da investigação e os procedimentos na entrevista, como técnica de recolha de dados. É solicitado a colaboração do aluno para o sucesso da investigação, garantindo a confidencialidade das informações e pedir autorização para gravar a entrevista em áudio.
- Percepções da escola – solicitado ao aluno que se pronuncie sobre os anos passados na escola, a sua imagem desta, o seu percurso, o apoio na obtenção dos resultados, o design curricular do Ensino Secundário, as disciplinas, a oferta formativa, a organização dos tempos lectivos e se é uma boa escola, sempre de uma forma justificada; Interrogar sobre o apoio prestado pela escola aos alunos, nomeadamente a Biblioteca, os recursos disponíveis e as actividades; solicitar que se refira à relação com os colegas e funcionários, ambiente entre os alunos, a importância da presença dos Encarregados de Educação na escola e a relação com o Conselho Executivo e se acham que a voz dos alunos é ouvida.
- Representações dos alunos sobre eles próprios – questionados sobre as suas experiências curriculares mais marcantes, as disciplinas favoritas, aulas que mais agradam, as actividades extra-curriculares existentes e a sua participação, tudo de uma forma justificada; a influência da escola na escolha do curso, as expectativas de futuro, ingresso no ensino superior/mercado de trabalho e a profissão que gostaria de vir ter, sempre justificando.
- Percepções dos professores – solicitado ao aluno que descreva os seus professores, exemplos de uma boa e má experiência em sala de aula e seus aspectos mais marcantes, a ajuda dos professores no sucesso, realização e felicidade; professores mais marcantes, aspectos que estes podiam melhorar e o papel do Director de Turma, suas qualidades e apoio aos alunos.
- Sugestões a melhorar – pedir que diga o que tornaria a escola ainda melhor/ com mais sucesso (exemplificando), solicitar que se pronuncie acerca do que na sua opinião mais contribui para o sucesso da escola; No final perguntar se quer acrescentar mais alguma coisa.
Pensamos que o guião da entrevista está muito bem estruturado, em primeiro lugar apresenta a investigação, motivando o entrevistado e garantindo a confidencialidade dos dados recolhidos. Seguidamente vai questionando os alunos sobre a escola, sobre os seus pares (colegas, funcionários, Encarregados de Educação e Conselho Executivo) e professores, tudo de uma forma justificada. No final, são pedidas sugestões de melhoria com exemplos e algo que o aluno queira acrescentar à entrevista.
Para a análise do discurso privilegiou-se a abordagem indutiva em que as categorias e os temas emergiam dos dados, para, a partir daí, analisar as narrativas e ponderar as técnicas de recolha de dados que melhor se ajustavam à investigação em curso. Desta forma, o procedimento que mais se adequou à análise dos relatos escritos e das entrevistas foi a análise de conteúdo.
Não foram estabelecidas previamente as categorias. Estas foram sendo construídas ao longo do processo, seguindo sempre as qualidades inerentes a este tipo de investigação: a exclusão mútua; a homogeneidade; a pertinência; a objectividade; a fidelidade e a produtividade.
A análise dos dados foi feita de forma faseada. Assim, num primeiro momento, foi feita uma análise vertical (analisando as narrativas e as entrevistas dos sujeitos separadamente), seguindo-se a uma análise comparativa de modo a identificar padrões e/ou temas similares, bem como diferenças nos relatos dos participantes e, numa fase seguinte, uma análise horizontal, destacando e tratando cada um dos temas. O critério semântico ditou o fio condutor da categorização e análise.
O processo de análise de conteúdo foi validado por pesquisadores externos ao processo, a fim de confirmar a pertinência dos dados obtidos e da categorização e codificação efectuadas.
Assim, de forma resumida, foram realizados os seguintes passos no tratamento e na análise das narrativas e das entrevistas:
- Leitura integral de cada narrativa e entrevista;
- Análise temática: selecção das unidades de significação a codificar, destacando partes do texto;
- Identificação de categorias e subcategorias;
- Construção de tabelas com as dimensões e as categorias para a análise das narrativas e das entrevistas;
- Produção de um enunciado interpretativo e descritivo alicerçado na inferência.
Na investigação não foi utilizado nenhum software para a análise do conteúdo. No entanto, existem alguns programas que auxiliam no tratamento de dados qualitativos, como por exemplo: MAXQDA e o NVIVO.
Este tipo de aplicações QDA (Quality Data Analysis) permite organizar a informação a explorar e visualizar padrões, sendo uma ajuda poderosa para o investigador poder tirar algumas conclusões.
Referências Bibliográficas Denzin, N. (1989) Interpretive Interactionism, London, Sage
Denzin N.; Lincoln, Y. (Eds.) (1994): Handbook of qualitative research. California: Sage.
Fairclough, N. (s/d). Analysing Discourse, Textual analysis for social research.London & New York: Routledg [em linha]. Disponível em: http://www.fd.unl.pt/docentes_docs/ma/AMH_MA_4763.pdf [acedido Fev. 2011]
Teixeira, C. (2010): Percepções e experiências da escola, trajectórias escolares e expectativas futuras: um estudo com alunos do ensino secundário (Tese de Mestrado). [em linha]. Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/11014 [acedido Fev. 2011]
Tesch, R. (1993): Qualitative Research: Analysis Types of Software Tools. New York: Falmer Press.
Webgrafia http://www.maxqda.com/
http://www.qsrinternational.com/other-languages_portuguese.aspx
Débora Nandja
Dulce Oliveira
José Nunes
Análise do discurso registado na entrevista
Guião da entrevista utilizado
A Entrevista
Análise documental
Desta forma, a relevância desta investigação residiu precisamente na "captação da realidade tal como a vêem, vivem e constroem os alunos." (Teixeira, 2010: 96)
Qualitative researchers are interested in life as it is lived in real situations. (Woods, 2006)